Dr. Pablo Leite

Mini implantes extra alveolares

Por: Dr. Pablo Leite

A má oclusão de Classe II é uma das discrepâncias mais frequentes na prática ortodôntica e pode envolver alterações tanto dentárias quanto esqueléticas, e frequentemente é associada a um perfil facial convexo, sendo caracterizado segundo a classificação de Angle pela relação anormal entre os primeiros molares permanentes, na qual a cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior oclui à frente da cúspide mésio-vestibular do primeiro molar inferior. Tal posicionamento indica que o molar inferior encontra-se distalizado em relação ao molar superior. Diante desse panorama, o presente caso, abordará a condução do tratamento ortodôntico  para um cirurgia ortognática de um paciente do gênero masculino, na quarta década de vida, portador de má oclusão de Classe II, evidenciando as estratégias utilizadas para alcançar estabilidade, estética e funcionalidade dentro das limitações impostas pela maturidade esquelética.

O uso de alinhadores ortodônticos no tratamento das más oclusões Classe II tem se tornado cada vez mais frequente, principalmente devido à estética e ao conforto proporcionados. No entanto, esses dispositivos apresentam limitações biomecânicas importantes, como menor controle de ancoragem, dificuldades em movimentações distais e verticais, além de baixa previsibilidade do torque radicular. Estima-se que apenas 50% dos movimentos planejados virtualmente com alinhadores sejam efetivamente alcançados, o que reforça a necessidade de estratégias complementares.

Diante dessas limitações, a associação entre alinhadores e dispositivos de ancoragem esquelética temporária (TSADs), especialmente os mini-implantes extra-alveolares (E-A), tem se mostrado uma alternativa eficaz e previsível. Esses mini-implantes são instalados fora da região inter-radicular tradicional, permitindo a aplicação de forças mais amplas e versáteis, com menor dependência da colaboração do paciente. As regiões de preferência para inserção são a crista infrazigomática (IZC), na maxila, e na mandíbula bucal shelf (MBS) ou a região retromolar, da mandíbula. Segundo Baggio (2023), os mini-implantes extra-alveolares atuam por retenção mecânica na cortical óssea, dispensando osseointegração para exercerem sua função. Essa característica os torna ideais para movimentações dentárias tridimensionais nos sentidos ântero posterior, transversal e vertical, possibilitando maior controle e estabilidade biomecânica durante o tratamento.

No contexto da Classe II, essas características são particularmente vantajosas. A retração da arcada superior com uso de mini-implantes  permite a distalização dos dentes posteriores sem afetar a arcada inferior, o que é útil em casos de protrusão maxilar e Classe II. Além disso, os efeitos auxiliares como a intrusão de molares, extrusão de incisivos e o ajuste do plano oclusal colaboram para a rotação mandibular desejada e melhor estabilidade oclusal. A força ideal aplicada varia entre 100 e 200 g, com recomendação média de 130 g (4,5 oz), suficiente para movimentos eficazes sem causar efeitos indesejados como inclinação molar excessiva. O tratamento da má oclusão de Classe II deve considerar o padrão esquelético e a fase de crescimento do paciente. Em crianças e adolescentes, é possível utilizar recursos ortopédicos e funcionais. Já em adultos, onde o crescimento está estabilizado, casos moderados podem ser resolvidos com alinhadores e ancoragem esquelética, enquanto casos severos ainda podem exigir cirurgia ortognática.

Dessa forma, o uso estratégico de mini-implantes extra-alveolares, associado aos alinhadores, representa uma abordagem moderna e eficiente, proporcionando maior previsibilidade, controle biomecânico e redução da necessidade de extrações ou cirurgia em muitos casos. Trata-se de uma solução que amplia as opções de tratamento e favorece resultados ortodônticos mais estáveis e duradouros.

Na imagem a seguir, será possível visualizar de forma ilustrativa a localização anatômica desses mini-implantes e sua aplicação clínica: