A evolução da cirurgia ortognática: da residência à era do planejamento 3D
Por: Dr. Pablo LeiteDesde o início da minha residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, dediquei grande parte da minha trajetória à cirurgia ortognática. O que muitos não sabem é que a formação de um cirurgião ortognático é longa e exige muito mais do que a simples prática cirúrgica. É um processo de aprendizado contínuo, técnico e altamente especializado.
Durante a residência, tive a oportunidade de aprender com profissionais consagrados, com ampla experiência nacional e internacional. Foram anos de intensa imersão: nos dois primeiros, acompanhando planejamentos, entendendo limitações técnicas e observando cuidadosamente os resultados no pré e pós-operatório; e no terceiro ano, colocando em prática todo esse conhecimento em cirurgias supervisionadas.
Naquela época, a cirurgia ortognática já era considerada um procedimento consolidado — com o uso de placas, parafusos e técnicas de fixação estáveis, garantindo previsibilidade e segurança ao paciente. Mas, como em toda área da medicina, a evolução não parou por aí.
Hoje, vivemos uma nova fase, marcada pelo conceito de Fast Tracking, que prioriza uma recuperação mais rápida e confortável. Diferente do que alguns acreditam, esse conceito não está ligado a uma “cirurgia minimamente invasiva”, e sim a um conjunto de avanços tecnológicos e clínicos que transformaram a experiência do paciente.
Entre eles, estão o uso de instrumentos ultrassônicos de alta precisão, anestesia geral endovenosa moderna (que proporciona menor sangramento e controle total da pressão arterial) e a fisioterapia pós-operatória avançada, que acelera a recuperação funcional.
Outro marco fundamental dessa evolução é o planejamento digital 3D. No início da minha formação, todo o processo era analógico — desde a análise até a confecção dos guias cirúrgicos. Hoje, realizamos todos os movimentos esqueléticos e simulações de resultado no ambiente virtual, o que garante previsibilidade e segurança incomparáveis.
Tive o privilégio de acompanhar de perto a chegada do planejamento 3D ao Brasil, há mais de 10 anos. Na época, poucos sabiam utilizá-lo. Vivenciar essa transição me permitiu compreender a fundo não apenas a tecnologia, mas a importância de integrá-la à experiência clínica.
Por isso, costumo orientar meus pacientes sobre um ponto essencial: quem realiza o seu planejamento deve ser o mesmo cirurgião que executa a sua cirurgia. Essa integração garante que todas as etapas — do planejamento à execução — sigam com precisão, sem margem para erros. Afinal, apenas o cirurgião que conhece cada detalhe do caso é capaz de tomar decisões assertivas diante de qualquer variação durante o procedimento.
A cirurgia ortognática evoluiu, e com ela, a forma de cuidar do paciente. Hoje, unimos tecnologia, segurança e experiência para oferecer resultados previsíveis, funcionais e estéticos, com uma recuperação cada vez mais rápida e confortável.
Dr. Pablo Leite – Cirurgia ortognática em Blumenau