Dr. Pablo Leite

A compatibilidade entre as arcadas: É este o objetivo ortodôntico na Cirurgia Ortognática? (English version available)

Por: Dr. Pablo Leite

Como residente, no início do meu treinamento no tratamento de deformidades dentofaciais com cirurgia ortognática, o tratamento ortodôntico desses pacientes era algo totalmente fora do meu conhecimento. Criar compatibilidade entre as arcadas, ajustando todas as diferenças que foram criadas pela natureza, era um caminho obscuro.

O alinhamento e nivelamento dos dentes pareciam uma regra simples. Criei em minha mente uma ideia básica de que esse processo ortodôntico levaria a uma perfeita compatibilidade entre as arcadas, sem qualquer limitação.

No entanto, conforme acompanhava os casos em preparação ortodôntica para cirurgia, através da manipulação dos modelos após os movimentos ortodônticos, percebi que alcançar a compatibilidade entre as arcadas era bem mais difícil do que inicialmente imaginei.

As dificuldades no encaixe das arcadas foram encontradas em diferentes aspectos dentoalveolares. A relação entre caninos para estabelecer uma classe I dentária, a correção da curva de Spee, a adequada descompensação transversal dos dentes posteriores mandibulares e a obtenção de uma inclinação sagital adequada dos incisivos foram os desafios mais comuns na descompensação ortodôntica.

O reposicionamento das maxilas é afetado pelo alinhamento e nivelamento ortodôntico. A capacidade de entender e interpretar essa relação levou algum tempo, mas foi um dos pontos decisivos na preparação ortodôntica dos pacientes com deformidades dentofaciais.

A jornada de aprendizado na cirurgia ortognática me ensinou que a ortodontia não é apenas uma etapa preparatória, mas sim um pilar fundamental para o sucesso do tratamento. A compatibilidade entre as arcadas, que inicialmente parecia um objetivo simples e direto, revelou-se um desafio complexo que demanda profundo conhecimento técnico e experiência clínica.
Hoje, compreendo que cada caso é único e que o planejamento ortodôntico precisa ser tão meticuloso quanto a própria cirurgia. A integração entre ortodontia e cirurgia ortognática não é apenas desejável – é essencial para garantir resultados previsíveis e estáveis, transformando não apenas sorrisos, mas a qualidade de vida de nossos pacientes.

Esta reflexão serve como um lembrete da importância da humildade profissional e do aprendizado contínuo em nossa especialidade, onde cada caso nos ensina algo novo sobre a complexidade e beleza da harmonização dentofacial.

 

===============================================================

The Inter-Arch Compatibility: Is This the Orthodontic Goal in Orthognathic Surgery?

As a resident, at the beginning of my training in treating dentofacial deformities with orthognathic surgery, the orthodontic treatment of these patients was something completely outside my knowledge. Creating compatibility between the dental arches, adjusting all the differences that were created by nature, was an obscure path.

The alignment and leveling of teeth seemed like a simple rule. I created in my mind a basic idea that this orthodontic process would lead to perfect compatibility between the arches, without any limitation.

However, as I followed the cases in orthodontic preparation for surgery, through the manipulation of models after orthodontic movements, I realized that achieving arch compatibility was much more difficult than I initially imagined.

The difficulties in arch fitting were found in different dentoalveolar aspects. The relationship between canines to establish a dental Class I, the correction of the Spee curve, the adequate transverse decompensation of the posterior mandibular teeth, and the achievement of an adequate sagittal inclination of the incisors were the most common challenges in orthodontic decompensation.

The repositioning of the jaws is affected by orthodontic alignment and leveling. The ability to understand and interpret this relationship took some time, but it was one of the turning points in the orthodontic preparation of patients with dentofacial deformities.

The learning journey in orthognathic surgery has taught me that orthodontics is not just a preparatory step, but a fundamental pillar for treatment success. The compatibility between the arches, which initially seemed like a simple and straightforward goal, proved to be a complex challenge that demands deep technical knowledge and clinical experience.

Today, I understand that each case is unique and that orthodontic planning needs to be as meticulous as the surgery itself. The integration between orthodontics and orthognathic surgery is not just desirable – it is essential to ensure predictable and stable results, transforming not only smiles but the quality of life of our patients.

This reflection serves as a reminder of the importance of professional humility and continuous learning in our specialty, where each case teaches us something new about the complexity and beauty of dentofacial harmonization.